Já se estava a ver que este animal [se ele pode chamar animal, filho da pu*a e bastardo aos outros acho que também não há de estranhar muito o contrário] ia fazer uma cena destas na primeira vez que se lembrasse de fumar a m*rda do charuto.
Não, a sério. Eu tenho vergonha deste homem. Mesmo. Não que alguma vez me tenha sentido orgulhosa dele, ou de ele governar aqui o reino. Mas caraças, ele está a ficar mesmo patareco e ninguém vê isso? Primeiro aquela baboseirada das Finanças Regionais, a vergonha do referendo do aborto, e agora isto.
O que me assusta é que o homem consegue sempre o que quer. O que será a seguir? Pronto, a Lei do Tabaco não lhe convém, então toca de mudá-la. É uma prepotência tal que realmente dá medo.
Atenção, fui fumadora por 16 anos, sei bem o quanto esta lei desagradou aos fumadores. Convivo diariamente com fumadores, e pela amostra que tenho, concluo que a lei ao fim de quase um mês já estava praticamente digerida.
Penso que 99,99% dos fumadores não aprovaria esta lei se estivesse na mão deles. Mas a verdade é que a compreendem. A maior parte dos fumadores sabe que está a fazer mal aos vizinhos de cada vez que acende um cigarro. Pode não ter consciência disso todo o tempo, mas perante uma lei destas, não pode deixar de compreender o sentido dela.
Mas aquela besta daquele homem, por causa de uma m*rda de um charuto, que incomoda bem mais que o fumo do cigarro, põe em prática o seu lado ditador. E um homem com a idade dele, já devia ter juízo, devia pensar até na própria saúde, se bem que quero lá saber. Não lhe desejo nenhum mal pessoalmente, mas também não faço votos de uma vida longa e saudável.
Estando a consulta de desabituação tabágica completamente à pinha, bom, para isso não há apoios nenhuns! Nisso o Governo não pensa. Estão uma médica e duas enfermeiras com a missão de “curar” o vício da Madeira inteira. As soluções (medicamentos, adesivos, etc) não têm qualquer comparticipação do governo, e alguns são taxados em IVA a 15% (ao nível dos bens considerados de luxo), implicando a obtenção de receita médica de forma a poder recuperar uns módicos 30% do valor. Ora isto admite-se?
O Sr. Alberto João (Dr. Alberto João? Tenho as minhas dúvidas se ele algum dia realmente terminou direito) concerteza nunca perdeu ninguém na família ou amigos por causa do tabaco. Ele não tem noção da realidade deste problema porque nunca foi visitar a ala dos moribundos no Hospital dos Marmeleiros, vítimas de complicações que tiveram origem no consumo de tabaco.
Bom, eu não sou fundamentalista. Não acho que se devam “crucificar” os fumadores e obrigá-los a deixar de fumar. Não me irrito à saída do Centro Comercial ou do café quando passo por aquela nuvem de fumo do pessoal que está à saída a matar o vício. Eles já estão a sofrer o suficiente sem levarem com um olhar de censura por parte de quem passa.
Mas não podemos andar para trás!! Já foi uma grande derrota se voltar a fumar nas discotecas, e pelo andar das coisas, graças à eventual intervenção desse energúmeno que era suposto agir em protecção do interesse público, vai voltar tudo ao mesmo.
Faz agora um ano, eu estava no Brasil. De férias. Mas cheguei a ficar muito irritada porque não podia fumar no restaurante, no hotel, no centro comercial, no aeroporto. Dizia eu, “mas como é que um fumador faz aqui, quase não há lugares onde se possam fumar sem ser no meio da rua“. A verdade é que irritada ou não, eu fumei muito pouco nas férias, e essa estadia foi o pontapé de saída para a minha primeira tentativa de deixar de fumar, que resultou na redução para metade.No final eu verifiquei que não tinha sofrido assim tanto (fisicamente) por fumar menos e decidi tentar.
E não é o Brasil um país atrasado, corrupto, do 3º mundo e etc??
Mas lá, fumar é feio. É mesmo feio. O fumador sente-se ridículo. Alguma coisa eles terão feito certo!!
Porque é que as consultas de desabituação tabágica estão à cunha? Por causa de lei, claro! E sabem o que me disse a Dr.a Ermelinda? Que a taxa de sucesso tem sido na ordem dos 97%!
Que querem mais?! Esta é a prova de que alguma alteração que venha aí à Lei do Tabaco é uma reflexão do egoísmo dos nossos governantes no sentido mais puro.
Há dias encontrei um velho amigo na consulta. Um moço muito amigo das noitadas, situação em que lhe custa obviamente mais estar sem fumar. Quando eu lhe disse que provavelmente se ia poder voltara fumar nas discotecas ele respondeu-me “pá, tanto trabalho que eu tive para nada”. Ele assumiu o fracasso na hora!
Quer dizer, este é um caso de fraqueza extrema (lol), mas na verdade as coisas são um pouco assim. Há uma fase no processo de deixar de fumar em que é muito mais fácil passar os dias se não se conviver com fumadores. Ora, estar sem fumar e ainda ter de ficar em casa para não ter tentações pode resultar em depressão, mesmo no seu sentido mais light.
Enfim, nem sei mais o que diga, mas o que me apetecia mesmo era mudar de país.