Cá vamos andando. Com 19 semanas e dois dias a barriga já dá sinais
Mas como nunca gostei de usar roupa muito apertada, ainda uso praticamente toda a roupa que usava antes, e por isso não se nota nada para quem não sabe. A minha mãe só se notou a barriga aos 5 meses e eu creio que vou pelo mesmo caminho.
Felizmente tenho passado tão bem, mas tão bem, que só tenho noção do que está a acontecer quando vou ao médico uma vez por mês e vejo-o na ecografia e ouço o coraçãozinho.
Ops, mentira…! No dia em que fiz 17 semanas, estava sentada no sofá a ler blogues e senti. Uma coceguinha por debaixo da pele, no lado direito da barriga, era ele! Nem queria acreditar. Nesse dia tive um jantar de família e toca a perguntar a todas as mamãs se seria mesmo..lol E agora de vez em quando sinto aquela formiguinha a mudar de posição :p
Na última consulta trouxe a requisição para fazer o rastreio bioquímico. Tanto o médico como a funcionária do laboratório me disseram que só se houvesse algum problema é que ligavam mais cedo. Caso contrário, ao fim de uma semana estavam prontas. Fui fazer a análise na sexta, e na terça ao fim da tarde recebi o temido telefonema. Fiquei de rastos, mas mesmo de rastos. Como não tive nenhum problema de espécie alguma, já estava a ficar mal acostumada, e não estava mesmo nada à espera de ter que lidar com a decisão de fazer ou não uma amniocentese.
Liguei logo para o consultório do médico, se conseguisse lá chegar em 15m ainda o apanhava. Pego no carro, voo até ao laboratório para levantar as análises. E, quase literalmente, bato com a cara na porta.
Fiquei danada: então ligam-me e dizem-me o seguinte: “Tem de vir buscar as análises e mostrá-las com urgência ao Dr.” e depois fecham as portas e vão para casa na boa.
O pior é que no dia seguinte era quarta feira – o único dia da semana que o médico não dá consultas. Podia ter-lhe ligado, ele pôs-me à vontade para isso, mas custa-me TANTO incomodar as pessoas no seu dia de folga, pois sei o quanto eu própria não gosto.
Então não fui buscar as análises no dia seguinte para não ficar a macacar com aquilo, pois já me conheço, mas ainda assim passei o dia terrivelmente angustiada.
Só me vinha à cabeça as palavras da minha tia “moderna” que logo que soube que eu estava grávida disse-me que eu tinha de insistir para fazer a amniocentese, que toda a gente devia fazer mesmo que não tivesse risco – e eu a pensar que não, não quero colocar em risco o meu bebé, e depois para quê?! Se o resultado fosse positivo eu ia fazer o quê? Depois de o ter sentido a mexer, depois de o ver todo formadinho na minha barriga. Ainda hoje não sei o que iríamos decidir…só espero NUNCA ter de tomar uma decisão dessas.
No dia seguinte, 8 da manhã, estava eu à porta do laboratório para levantar as análises e claro, tive de reclamar do facto de me terem ligado mesmo antes de fechar, perguntei qual a necessidade de alarmar uma pessoa se não se pode resolver nada depois? Umas reclamaram comigo, outras compreenderam. Vá, não foi mau.
Vou para o consultório, pois o médico dá consultas desde as 8 da manhã, para o encontrar apinhado de gente. Uma hora depois consegui que ele me visse as análises…e exclama ele:
“- Mas isto está bem! Mas ligaram-lhe porquê? Não havia necessidade, está tudo bem!”
E de facto, quando para a minha idade a probabilidade de ter um filho com Trissomia 21 é de 1:450, a minha é de 1:10.000.
Fiquei aliviadíssima, prometi a mim mesma que nunca mais ia deixar-me ficar assim angustiada, que isto faz-me mal, a mim e ao bebé!
(Ainda pensei em ir reclamar mais ainda ao laboratório, mas estava tão contente que nem quis saber de mais stresses!)