O sotão da macalila

Sempre quis ter um sotão empoeirado onde, de cada vez que eu lá fosse, encontrasse uma nova história para contar…

O meu amigo pródigo Janeiro 15, 2008

Arquivado em: dramas — macalila @ 9:44 am

Alguém se lembra da história do filho pródigo? Pois, eu ontem senti-a na pele, mas na minha versão, com um amigo.
Ontem reencontrei um amigo perdido há anos!! Mas perdido em muitos sentidos, pois além de estar há uns 8 anos sem saber dele, pensava que ele já nem era meu amigo. Mas é!!!
É uma daquelas histórias, dois amigos, um rapaz e uma rapariga, amigos do peito, manos de verdade, inseparáveis durante anos a fio. Eu mana gorda, ele mano gordo. Fomos para a universidade em cidades diferentes, ainda escrevemos umas cartas (sim, porque embora custe a acreditar nem sempre houve Internet), mas o que é certo é que nas férias sempre nos encontravamos.
Depois de algum tempo sem notícias, vim a saber que ele namorava com uma madeirense a estudar na minha terra. Feliz da vida, escrevi-lhe ou telefonei-lhe, já não sei mais, e cada tentativa de contacto era mais frustante que a outra. Depois vim a saber (não sei se era verdade ou não) que a moça, embora sem eu a conhecer – até hoje não sei bem quem é – não ia à bola comigo, por razões que me ultrapassam.
Senti o meu amigo dividido, e na dúvida, ficou ao lado da rapariga, o que é mais que normal.
Aceitei estas coisas, mas tinha uma tristeza enorme quando amigos me diziam que o P. tinha estado em Braga no fim de semana e apercebia-me que ele não me tinha ligado.

Um dia, encontrei-o na Madeira. Decidida a não perder o meu amigo, fui ter com ele, toda feliz, abracei-o e senti logo uma frieza que não conhecia nele. Vi nos olhos dele uma mágoa imensa, uma coisa atroz, lembro-me que senti um calafrio. Disfarçando, pedi-lhe o número de telemóvel “Temos de combinar um café!!” e ele, de telemóvel na mão, respondeu-me..”Não tenho”.
Nunca mais me esqueci disso. Durante anos e anos há sempre uma altura em que me lembro dele, desse episódio e penso no que é que terá levado uma amizade tão forte a um momento daqueles.
Não fiquei com mágoa, não fiquei com raiva da tal rapariga que pelos vistos está na origem disto. E isto não é normal, sendo eu um Escorpião puro, é fácil desenvolver inimizades por dá-cá-aquela-palha…apenas fiquei com saudades. Saudades das conversas, saudades de ter um amigo a quem se pode contar tudo sem vergonha, saudades do P.
Porque eu acho que cada amigo temo seu lugar, o seu papel. E o lugar do P. esteve sempre vazio, nunca mais houve um como ele. Tive e tenho amigas, amigos, cada um tem um lugar na minha vida, mas se eu perco algum deles, sei que nunca mais encontro igual.

Pois na sexta feira passada, estava eu a passear no Hi5, aquela praga maraivilhosa, que me faz perder tanto tempo só a navegar de pessoa para pessoa (olha este, hiiiiiii…e aquele afinal casou com esta…caramba) e que alimenta o meu lado bisbilhioteiro de uma forma bastante eficiente.
Através de uma amiga em comum, encontreio perfil do meu amigo perdido. Primeiro gelei, depois não resisti: deixei-lhe uma mensagem. A medo, claro. Mas tinha de lhe dar sinal!!

No sábado ele escreveu-me, contente de ter notícias minhas, escrevi-lhe de volta, e agora estamos a pôr a conversa em dia através de e-mails, pois ele está a trabalhar em Cabo Verde.
Quem sabe um dia destes não nos encontramos?
Para já estou muito feliz de ele estar feliz lol, ando contente, com um sorriso de ponta a ponta, tudo isto porque recuperei um amigo!

 

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